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Temporada Amores

Só temos a agradecer aos parceiros, amigos e desconhecidos que passaram pela Ladeira da Memória nesta nossa primeira temporada. Semana a semana amadurecemos a peça, refletimos sobre as nossas intenções e os resultados alcançados, ouvimos críticas, sugestões, elogios, agradecimentos. O Pavanelli e o Calixto estiveram lá, desde o princípio, para ver o que estávamos aprontando; o Adailton e a Selma, do Buraco, apareceram;  o Fabio Resende, da Brava; o Chico Pelúcio, do Galpão; o Kil;  vixi.. tanta gente querida!

Novembro tem mais, na Mostra Lino Rojas.

ESTRÉIA!

roda

Foto: Wilson Mahana

Agradecimentos muito especiais: a todo pessoal do Núcleo Pavanelli.

ESTRÉIA DIA 28

estão todos convidados! Na Ladeira da Memória, ao lado do metrô Anhangabaú, de graça, ao entardecer.

estréia miolo

estréia miolo

Corpocidade

Artigo de Renata Lemes, a propósito da viagem a Salvador, em outubro, durante o evento Corpocidade, organizado pela UFBA.

passeiopublico

O Passeio Público
Depois de olhar a cidade como apenas um caminhante, mais um entre tantos, o artista repassa sua vista. Lentes de aumento, olho, coração e todo o corpo se deixam então OLHAR o espaço. Rampa. Altura. Desníveis. Calçamento. Meios-fios. Círculos. Curvas que dão ao desvio. Monumentos. Abismos.
O espaço do passeio público localizado em Salvador, Teatro Vila Velha, vai se sugestionando ao corpo, o corpo pleno do artista que em sua imaginação constrói imagens, muitas, imagem-poema, disformes, imagens vocais. Imagens que compreende agora espaços inteiros tomando a dimensão de si. Ali, no passeio público, o cenário-cidade se auto-define, sem medo, ousado, gigante. O artista retira-se da condição de artista, embrenha-se nos percursos, nos fluxos, para não somente encontrar o outro mas ser, ele próprio, multidão. Não massa, mas extensões. Não mais um bloco de iguais feito tijolos, mas uma correntenza de múltiplos, de diferenças. O espaço sem a ação não há de ser nada, a idéia de agir sobre ele é que o tira da condição de espaço inoqüo e o potencializa em espacialidade, gerando no corpo também espacialidade. Corpo e espaço agora constituem-se “espacialidades engravidadas” em vias de vida.
É possível construir um corpo em arte a partir dessas espacialidades. É possível materializar a espacialidade como elemento de potência artística que gera sempre um novo corpo. “Espacialidade em Arte”. Não uma espacialidade pura, em si, mas esta espacialidade do confronto ou encontro entre Corpo/Espaço.
O passeio é público. A expressão lembra que quando as cidades modernas estavam em seus nascedouros, as andanças e deambulações criavam no passante, passeiador, flanêur, uma aura poética e convulsiva. A cidade surpreendia e assustava. A cidade era do caminhante e carregava a promessa de um mundo novo, desconhecido que se agigantava ante o olhar de quem se demorasse um pouco mais entre as ruelas abertas recentemente.
Dessa aura, o passeio público de Salvador reserva-nos quase uma nostalgia, mesmo para alguém que ali nunca esteve. Por outro lado, a memória ali guardada e envelhecida fala-nos de outra cidade, não da que ficou para trás, mas daquela que está por vir, daquela que veio, daquela que vive.
O passeio público é esse espaço, de uma esquina a outra, paradoxo. E quem por ali viu esquinas? Ou pontes e arranha-céus? Eu vi. O passeio público é aquele espaço primeiro, aquele de uma cidade sonhada pelo olho do artista. Uma cidade salvadorinha, ou que nome possamos dar. Uma micropotência da outra Salvador, que cumpriu a promessa de ser cosmopolita, que guardou suas memórias e se mostra ao turista. A Salvadorinha do passeio público descreve uma cartografia particular, insinua-se poema e cena no mapa do corpo do artista. O passeio público é esse espaço-potência pra quem se arriscar. De novo em desvios, abismos pontes e muitas pedras em meio ao caminho. O lugar se esconde. Vontade de revelá-lo. De revelá-lo em mim. Parece que está ao fundo, entre largas construções. Parece indiferente; poucos são os que, por ali, passeiam. Mas os lugares são feitos pelos olhos, pela retina des-programada. Por que um lugar tão lindo e vivo ante meus olhos anda assim, às vezes como coisa nenhuma, na cidade? Porque assim são os lugares, como as gentes, prenhes de relações e vidas. Prenhes também de desolação.

Volto logo em Salvador… desejo muitas vezes ser um pouco esse lugar. Desejo atravessar aqueles rumos do passeio público, descobri-los, dar voltas, entoar cantos, subir árvores, deitar nos bancos, olhar no olho dos pequenos monumentos resistentes, nem sei por que, e ser então “em Arte”, esse espaço tornado outro, tornado vivo.

Fomento 2008/2009

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Projeto Gráfico de Pedro Penafiel

ENTREVISTA

Quando fomos a Ribeirão, esse ano, tivemos a oportunidade de falar um pouco sobre teatro de rua, sobre Molière e sobre o trabalho do Miolo, para uma TV Universitária. Confira o vídeo!

 

HISTÓRICO

A Companhia do Miolo vem realizando, desde 2000, uma pesquisa voltada para a criação de uma linguagem teatral própria, tendo como base o trabalho do ator-criador, na relação com o espaço e o público da rua.

 

No ano 2000, a Companhia do Miolo inicia sua pesquisa em teatro popular com o espetáculo “O Casamento Suspeitoso”, de Ariano Suassuna. Em 2002, leva para as ruas de São Paulo “O Burguês Fidalgo”, de Moliére, com direção de Bete Dorgam. No anos seguintes, dando continuidade ao repertório do autor francês, a Companhia amplia seu trabalho e realiza a montagem “O Doente Imaginário”, convidando a diretora Cuca Bolaffi –  que contribuiu, com sua experiência da Escola Le Coq, ao aprofundamento do estudo da linguagem corporal para a rua, realizando temporada nos CEUS, unidades do SESC e festivais.

 

Com a antropóloga Daisy Perelmutter, a Companhia inicia uma pesquisa sobre brincadeiras e canções infantis das décadas de 20, 30 e 40, resultando na montagem do espetáculo Infantil “É de Cantar e de Brincar”. O trabalho agrada a crianças e adultos, que relembram suas brincadeiras da infância e reconhecem, ali, um apurado repertório de poemas e canções, sempre com grande sucesso de público.

 

Este trabalho estimulou a Companhia a reencontrar a memória da cidade, mote do espetáculo “Ao Largo da Memória”, projeto contemplado pela Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, no ano de 2006. Como fruto de sua pesquisa artística, a Companhia publicou, neste período, dois informativos (jan-março de 2007 e abril-maio de 2006) que refletem sobre a prática na rua. Além disso, participa ativamente da construção política de um pensamento sobre o fazer teatral com vista ao sentido social do teatro, integrando a Redemoinho (Rede Brasileira de Espaços de Criação, Compartilhamento e Pesquisa Teatral) e outros coletivos da cidade.

 

A Companhia do Miolo é hoje referência em pesquisa teatral de rua – tendo no trabalho do ator e na sua relação com o público sua principal fonte de pesquisa e excelência artística.